domingo, 26 de setembro de 2021

casa 58

 


poeminha

aos moradores

da casa 58

eu vos desejo

a glória

na lata de lixo

da história

 

Artur Gomes

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                                                         fake book

 

o face detonou
minha família inteira
e lá se foram
os meus amores carnais

e agora o que eu faço
sem as Anas sem as Eras
as Cristinas Isadoras Micaelas

Vênus Afrodites todas elas
os bem-me-quer dos carnavais

essa rede assim não comporta
meus poemas canibais

 

Federico Baudelaire

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como escrevo?

a minha relação poesia.teatro.poesia é visceral vital para o que escrevo como quem encena a necessidade do corpo como expressão não planejo nem penso o que ele sente quando jorra palavras no deserto branco do papel. o corpo dada lance de dados jogos e lances na ponta dos dedos o dado rola quando o estômago ronca e as tripas falam

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Artur Gomes

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no poema o que ficou?

 


                                              Anjo Torto


eu sou o que invoca
o que provoca
e incorpora
desconcentra
desconforta
desconstrói
e desconcerta

eu sou o que interpreta
representa
o que inventa
e desafora

o Anjo Torto
graças a Zeus
a pedra e ao Machado de Xangô

a Capitã do Mato Caipora
me xinga de poeta enganador
mal sabe ela
que eu sou da reza
que o homem que se preza
nunca se escraviza
com chicote de feitor

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

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Fricção

 

quem passou a língua

nas coxas da Caipora?

me pergunta Federico Baudelaire

cheirando as Flores d0 Mal

no Sarau de EuGênio Mallarmè

 

Gigi então invoca

a Dona Santa Federika

que baixa na mesma hora

 

- ora bolas fui eu

com minha língua de faca

cortei a cara da vaca

a começar pelas coxas

depois subi pelo corpo

até o buraco da boca

e meti a língua na língua

 

e na suruba das línguas

a dela mordendo a minha

a minha mordendo a dela

a Arte então se revela

não existe Arte sem língua

nem Teatro sem linguagem

a Arte é uma grande suruba

e o resto mais é pura sagaranagem

 

Federika Bezerra

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no poema o que ficou?

                           para Cesar Augusto de Carvalho

 

no poema ficou caco de vidros

azulejando nos azuis

no poema ficou o corte mais aberto

o sangue mais secreto

tanto mal secando blues

 

no poema ficou a língua cega

a faca desdentada

a fome afiada onde era mel agora é pus

 

no poema ficou o obsceno não sagrado

o beijo ensanguentado

o abstrato do concreto

no poema ficou um objeto

um soneto esfacelado

um hiato no decreto

 

no poema ficou mais um retalho

mais um trapo do espantalho

nesse circo abjeto

mo poema ficou o sangue amargo

numa noite quase nada

num curral analfabeto

 

no poema ficou a escuridão

nuvens de cinzas

onde antes era luz

no poema eu fiquei de pé quebrado

no velório esquartejado

nessa terra de tanta cruz.

 

Artur Gomes

para o livro inédito:

O Homem Com A Flor na Boca

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lavra palavra

 


lavra palavra

cine vídeo com poema de Artur Gomes

do livro Juras Secretas filmado no sítio histórico de São Pedro de Alcântara – Bom Jesus do Itabapoana-RJ – que esta semana dedico a minha querida amiga Simone Bacelar pelo belíssimo trabalho que fez com a minha produção poética esta semana para o seu maravilhoso projeto LêPoesia

câmera: Fabíola Gomes – edição Federico Baudelaire

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1761159630645616



 

sargaço em tua boca espuma

 

em Armação de Búzios

tenho um amor sagrado

guardado como jura secreta

que ainda não fiz para Laís

em teus cabelos girassóis de estrelas

que de tanto vê-las o meu olho vela

e o que tanto diz onda do mar não leva

da areia da praia onde grafei teu nome

para matar a sede e muito mais a fome

 

entranhada na carne como Flor de Lótus

grudada na pele como tatuagem

flutuando ao vento como leve pluma

no salgado corpo do além mar afora

sargaço em tua boca espuma

onde vivem peixes - na cumplicidade

do que escrevo agora

 

Artur Gomes

Poema do livro Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1429156210512628/?hc_ref=PAGES_TIMELINE


POEMA EM CASA #093

"Terra de Santa Cruz", de Artur Gomes.

E segue a série, quase chegando ao número 100, aqui e no Instagram (@ademirgassuncao)

 https://www.facebook.com/ademir.assuncao/videos/10222640447777842

Gomes & Tostes a mais nova sardinha portuguesa já à venda nos melhores botecos de São Paulo. Amanhã a partir das 20h no Bar do Frango - Av. São Lucas, 479

 Troféu Mosquitão recebi ontem na Usina 4 Casa das Artes Cabo Frio das mãos de Jiddu Saldanha criador e curador do Cine Mosquito que neste 2019 comemora os seus 10 anos de existência.

 Malditos Bem Ditos

A poesia de Paulo Leminski e Torquato Neto

Interpretada por Artur Gomes

 https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/285806788962850

 Artur Gomes – Poesia In Concert

 https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1612546478840266

Artur Gomes

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Psicótica 67

 


Artur Gomes, um poeta campista no palco da memória

                                                                 por Deneval Siqueira

 Artur Gomes é poeta de longa ancestralidade e forte techné, e sempre nos brinda com sua poíesis de tom ritmado na pesada musicalidade de herança oral. Campista goitacá, em breve, lançará, O Poeta enquanto Coisa, cuja Psicótica – 67 transcrevo abaixo.

 Psicótica – 67

 com os dentes cravados na memória

não frequento academias

físicas – e muito menos literárias

minha palavra avária

está à beira do precipício


nem sei porque não continuei

internado no hospício

onde choques elétricos 

         aconteciam as tantas

no manicômio Henrique Roxo

na cidade de Campos dos Goytacazes

nas mil e umas noites

               de orgias satanases 


onde a medicina psiquiátrica

era exercida por capatazes

     de médicos açougueiros

e um anjo Capixaba de nome Vespasiano

                   não resistiu ao estado de surto

entrou curto circuito 

explodiu a cabeça contra a parede


e nenhum jornal da feracidade

                       noticiou o suicídio

a morte da esperança

nessa trágica história 

que eu trago acesa na lembrança

com os dentes cravados na memória

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

https://www.facebook.com/poetaenquantocoisa

 

Tendo como marca registrada da sua obra o palimpsesto e o intratexto, onde se confundem a voz do eu-lírico, refundado na memória dos jornais, do noticiário policialesco, na jornada absurda da crueldade a la Antonin Artaud e salpicada de telurismo, sua poética vem sobressaltar os menos avisados.

 

Retomando alguns traços de Jorge de Lima e Ana Cristina César, não fica no passado mnemônico, pois seu traço lírico principal é do poeta memorialista cultural e telúrico, de perfil universalista, pois joga com o absurdo e com a persona teatral, desfazendo-se da loucura qualquer que seja, pois trabalha a arte do poema com desvario lírico musical a la Bethoven, a la Wagner, compondo uma ópera do absurdo nas memórias subjacentes.

 

O percurso de Artur Gomes é muito interessante e enriquece a historiografia dos poetas brasileiros contemporâneos, assim como Adriano Moura, Flávia D’Ângelo, entre outros não publicados ainda.

 Vale a conferida. Estamos todos aguardando o livro de poemas O Poeta Enquanto Coisa (2020) , título que sugere a materialização da memória no poema, de grau cabralino, e que segundo o autor-poeta “o instante que nos obriga a ser memorialistas”. Certo. A memória não perdoa, ela finca a faca no peito do leitor, sem sangue, mas cheia de feridas.

 Deneval Siqueira

Pós-Doutor e professor Titular de Teoria e História Literária - Centro de Ciências Humanas e Naturais

Programa de Pós-graduação em Letras - Doutorado e Mestrado em Estudos - Literários da UFES

Artur Gomes

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Artur Gomes : A Biografia De Um Poeta Absurdo

É Hoje!   Balbúrdia PoÉtica – por Ética Artur Gomes 53 Anos de Poesia Dia 3 julho - 2026 – 18:30h 4º Festival Gastronômico De São Fidélis-R...